BINGO. Mais uma vez as redes sociais fazem justiça por meio das centenas de citações que pintaram em pouco mais de três semanas depois que o Cícero, 25, liberou seu trabalho de estreia, o “Canções de Apartamento”, para download grátis no Portal Musicoteca.

Capa do Álbum de 2011
Se antes para ter visibilidade neste país continental era indispensável uma passadinha no Faustão ou no Gugu, há um tempo a coisa é diferente e o Cícero vai longe ao gravar seu disco todo dentro de casa sem ser um milionário como o Paul McCartney já era em 1970 quando gravou seu primeiro disco solo na companhia da mulher e no aconchego do lar. Muitas pessoas gravam discos em casa, é verdade, mas acredito que estamos diante de um trabalho com admirável qualidade artística.
O próprio Cícero resume a situação numa conversa que teve com seus novos fãs pelo Twitter na sexta-feira, 15, ao ser perguntado sobre se suas músicas tocavam no rádio: “Não. Sem rádio, televisão, gravadora, selo, produtor, empresário, sem nem estúdio pra gravar.” E é possível que ele faça muito sucesso assim como nos sugere a jornalista Kátia Abreu num artigo para o livro online “Para Entender as Mídias Sociais” (2011; organizadora Ana Brambilla):
“Não tem mais volta. A indústria da música demorou para aceitar (…) que não dá para pensar em novos modelos de negócio sem levar em conta as mudanças de comportamento trazidas pela popularização da Internet. Os artistas (principalmente os novos e independentes) e o público já tinham se dado conta disso tempos atrás, quando abraçaram, sem medo, as redes de compartilhamento P2P no começo do século XXI.”
O questionamento que muitos hoje em dia ficam quebrando a cabeça para responder é: como fazer grana do sucesso nas redes sociais?? Felizmente essa resposta já começou a ser respondida e mais uma vez parece que a coisa é bem democrática: quanto mais um artista tem talento mais pessoas curtem seu trabalho e mais ele passa a ser requisitado para compromissos profissionais.
O segredo passa por como construir e manter uma rede social com tamanho e qualidade.
Cícero não tinha conta no Twitter, mas alguns dias após o lançamento do disco providenciou uma e nesse meio tempo alcança quase 200 seguidores e centenas de citações; além do seu perfil no Facebook, curtido por quase 800 pessoas. No dia 21 também já estava no ar o clipe da faixa Tempo de Pipa:
Algumas faixas…
Em Vagalumes Cegos Cícero brinca de Construção do Chico Buarque jogando com trocadilhos melancólicos seguidos pelos versos que talvez sejam os mais citados até agora: “vamos ver um filme / ter dois filhos / ir ao Parque / Discutir Caetano / Planejar bobagens”.
João e o Pé de Feijão é uma música sobre perder alguém e sua batida sombria conduz a um final primoroso: “Ainda não fazem pessoas de algodão / Ainda não fazem pessoas que enxuguem / Suas próprias / Mágoas”.
Fico com Ensaio sobre Ela como minha preferida. Uma música que começa com trovoada e termina com o doce barulhinho da chuva e acreditando que um grande amor pode até recomeçar. ‘Eu não tenho um barco disse a árvore’, ao contrário, propõe uma ácida conclusão: “E diz que só queria descansar / De quem a gente mesmo escolheu ser.”
Outra referência que Cícero tem citado em entrevistas aparece na faixa ‘Pelo interfone’: “Fala pra ele / Do disco do Tom Jobim / Do seu apelido e de mim / E chora / Ah, Dindi / Se tu soubesses como machuca / Não amaria mais ninguém”
Com muita propriedade a Yasmin Muller do portal MTV escreveu sobre a estética musical de Canções de Apartamento: “a doçura delicada do violão com a dureza das guitarras distorcidas criam a atmosfera mundana e onírica das canções de Cícero, enquanto o acordeon presente em vários dos arranjos também contribui para nos levar a um mundo dos sonhos e pequenos grandes dramas.”
O cara
O Cícero estudou Direito, é carioca, além de cantar também compõe essas letras lindas e foi vocalista da banda Alice. Poderíamos pensar ‘será que o ele era daqueles meninos apaixonados por música que ficava em casa recortando imagens de seus músicos preferidos e colando num mural?’ É o que nos sugere a foto de divulgação de seu quarto que está no site e no mural dele tem Caetano, Mutantes, Tom Jobim, Milton Nascimento, Los Hermanos, Chico Buarque, Beatles “e mais 10 mil caracteres de gente”.
(Bate bola por e-mail)
-Qual teu histórico como músico, tu participou da Alice, que mais?
R: Gravei dois discos com a Alice. Mas sempre toquei, desde muito pequeno. Nasci, ouvi música e comecei a tocar. O histórico é basicamente esse…
- Como é e o que significa a parceria com o Musicoteca?
R: O Musicoteca é um site lindo que faz muito pela nova música. Não conhecia até eles publicarem meu disco, aí comecei a acompanhar. É feito por umas pessoas muito legais.
- Tu sofre com aquele problema do cara não ser reconhecido em termos de $$$ ou isso nunca foi um problema pra ti?
R: Não sou da geração que participou das grandes gravadoras e tudo mais. Não espero muito dinheiro com música, faço para as pessoas ouvirem. Só. Se o dinheiro vier, legal. Mas me viro pra ganhar dinheiro de outras formas.
- Tu falou em solidão, como foi tua infância?
R: Normal. Com coisas boas e ruins, como a de todo mundo…
- O Bruno e o Paulo são teus amigos? Como foi gravar com eles?
R: Sim, são meus amigos. O Paulinho tocava na Alice comigo. O Bruno tocava em uma banda chamada Fidelis e conheço ele desde o segundo grau. Gravar com eles foi perfeito. São amigos, talentosos e sensíveis. O que mais eu podia querer?













