A estreia de Filipe Catto na TV

Publicado: maio 8, 2011 em Música

Na noite de sábado (07-05-11)  o cantor gaúcho Filipe Catto teve sua estreia na televisão no programa Altas Horas da TV Globo. O apresentador Serginho Groissman fez questão de advertir na escalada: “no próximo bloco vamos apresentar uma grande voz.” Imediatamente fui remetido a um Fantástico de 21 de setembro de 2003 numa reportagem que Glória Maria iniciava dizendo “Guardem este nome, hein. Ma-ria Ri-ta”.

Filipe Catto é um artista preocupado com todos os detalhes de sua obra. Em seu trabalho de estreia, o projeto Saga, foi responsável desde as letras até o desenho da capa – que fez à mão. Eis que a faixa homônima é tema de Débora Bloch numa novela da TV Globo tocada em momentos em que a personagem está aprontando alguma safadeza. E cai como uma luva: Saga é um single malandro; e no conjunto coeso, maduro e com recursos musicais interessantes.

Catto escreve como gente grande com seus 23 anos: “Mas sei quando vem este sol despertar tua manhã ao meio dia / tua ressaca tem o gosto da minha boca” dispara o guri na bela Ressaca. Seu timbre é agudo e muitas pessoas ao ouvirem sua voz pela primeira vez lembram de Ney Matogrosso sendo que possivelmente neste quesito supere o ídolo dos Secos e Molhados. “Ele canta como mulher” me disse um amigo enquanto víamos o Altas Horas nessa noite de sábado. E qual o problema de cantar como mulher, lindamente como ele faz?

É evidente que uma aparição de Filipe Catto no programa da TV Globo não é uma mera coincidência. Músico desde os 11 anos, Catto fez por merecer pelo talento que possui. Mas dessa É a forma como ele entra definitivamente para o mundo da Indústria Cultural, como nos propõe o professor Francisco Rüdiger:

A transformação da cultura em mercadoria é resultado de um processo histórico por meio do qual a criação artística e literária passou a servir de campo para a acumulação do capital. Através dele, o público burguês e as massas urbanas se tornaram mercados das empresas de comunicação.

As atrações da TV brasileira, e especialmente as da Globo, se retroalimentam em programas de auditório com a participação de artistas que fazem parte de outros programas da grade. É uma maneira barata (pois um bom documentário da BBC pode custar milhões de euros) e eficiente do ponto de vista do marketing para vender esses programas e os produtos agregados (CDs, DVDs, xícaras, camisetas personalizadas…). Também é uma das razões para a baixa qualidade da programação nacional. Claro que esse não é o caso do programa de Serginho Groissman que se destacou com o seu Programa Livre, no SBT, um programa muito parecido com o Altas Horas – pela participação do público jovem falando o que vinha à cabeça – porém sem o desfile de celebridades.

RÜDIGER, Francisco. Comunicação e teoria crítica da sociedade.Porto Alegre: PUCRS, 1999.

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