Quando Cartier Bresson conheceu a Leica tudo mudou: uma câmera pequena, robusta e de fácil manuseio. Para o repórter que queria passar despercebido era o equipamento ideal. E além do mais a Leica era feita para fotografar de perto, e era ali que Bresson queria estar, com o pé no barro; registrando a História. Hoje recebi aqui em casa uma câmera pequena com recursos bem interessantes. Já tive uma câmera semiprofissional que se revelou um trambolho: um fator de repulsa em relação às outras pessoas; um equipamento considerado caro e por isso desejado por larápios — o que me impedia muitas vezes de fotografar nos lugares que mais gosto: as comunidades populares.
Eis que ontem na aula de telejornalismo o professor Sean, que já foi editor da RBS, me chamou atenção para um aspecto ético importante: quando estamos investidos da figura do repórter devemos dizer quem somos e desta forma conseguir colher as informações. No caso de uma reportagem em uma favela, por exemplo, é preciso dizer quem sou eu e o que estou fazendo ali naquela comunidade. As pessoas devem concordar em ceder imagens e dar depoimentos e não serem forçadas a isso. E estabelecer essa relação de confiança é um dos desafios de ser repórter.
Hoje em dia é muito comum aquilo que o professor Ungaretti chama de “fotocampana”. Ao contrários das leicas pequenas e ágeis; hoje em dia impera entre os profissionais o mercado das super câmeras cheia de recursos e lentes poderosas que permitem fotografar literalmente a quilômetros de distância. Imagens descontextualizadas, roubadas.
Sinto-me voltando à origem do fotojornalismo adquirindo um aparelho menor.













